Por acaso…

Era uma pintura bonita, muito expressiva. Perguntei ao companheiro de viagem quem era o autor do quadro. Ele também não sabia.

— Parece ter aqui no canto…

— “Própolis”… não pode ser nome de ninguém. Deve ser um… Como chama?…

— …Pseudônimo.

Realmente era um pseudônimo.

E o quadro era interessante. Gostaria de conhecer o autor, saber seu nome. Aí, quase deixava de ser anônimo; seria uma pessoa de carne e osso.

Foi quando se deu a tragédia: uma explosão no quarteirão adiante.

Corremos naquela direção para ver se podíamos ser úteis em algo.

A fumaça já se dissipara. Vimos uma jovem que parecia quase paralisada, olhando o que restava de um quiosque. Agora apenas um monte de ferragens retorcidas.

A jovem tinha algo na mão.

Aproximamo-nos e procuramos ajudá-la. Graças a Deus estava sem nenhum ferimento ou queimadura, e logo acalmou-se. Contou-nos o que se passara.

Ao se aproximar do local do quiosque sentiu forte cheiro de gás. Foi quando tropeçou em algo parecido a uma linda boneca. Abaixou-se para pegar. Neste momento deu-se a explosão a poucos metros de onde estava.

Pelo fato de ter se abaixado, ficou protegida por sólido muro, ouvindo apenas passar sobre si uma chapa metálica que decepou parte de um árvore próxima.

Ao levantar-se sentiu um calafrio: se tivesse de pé teria sido ferida gravemente — ou morta — pela pesada chapa. Graças a Deus estava ilesa.

Ao concluir a narração meu amigo comentou:

— Que acaso! Justo na hora do perigo a senhora se abaixou…

— Acaso… Acaso não meu senhor. Sempre aprendi que acaso não existe. Acaso é o pseudônimo de Deus: quando Ele não quer aparecer como autor, assina embaixo: “Acaso”

Assim fiquei conhecendo o verdadeiro Autor a que chamamos “Acaso”.

“O acaso é o pseudônimo de Deus” (dito francês)