Santo, sem deixar de ser príncipe

São Casimiro – Vitral

Era esse o ideal de São Casimiro, filho do rei Casimiro IV, cujas terras estendiam-se ao norte até a Lituânia e ao sul até o Mar Negro, em parte da atual Ucrânia. Sua mãe era a arquiduquesa Isabel, filha de Alberto II de Habsburg, rei dos romanos e soberano da Áustria, Hungria e Boêmia.

De linhagem real, sem descuidar dos deveres do reino terreno, almejava um muito mais elevado: o reino eterno. Para isso seu nobre ideal era ser um príncipe santo.

Nasceu em 1458, no castelo de Wawel, em Cracóvia (Polônia). A rainha, sua mãe, embora fosse piedosa, educava-o tendo em vista a corte e a vida diplomática, e não a santidade. Casimiro, pelo contrário, desde muito cedo entendeu que devia ser santo, sem deixar de ser príncipe.

Imagem de São casimiro

Não se recusava a participar da vida social, mostrava-se amável e alegre nas festas, mas delas se retirava tão logo podia. Não desprezava as vestimentas principescas, mas, por espírito de pobreza, usava uma túnica interior de tecido comum. Queria ter bem presente as palavras de Nosso Senhor: “Bem aventurado os pobres de espírito” (Mt 5, 3), ou seja aqueles que, embora possuindo riquezas, a elas não se apegavam.

Esse desapego também era notável em sua generosidade para com os pobres, viúvas e anciãos, distribuindo com eles boa parte de seus bens e do reino. Às esmolas materiais juntava as espirituais, admoestando ou aconselhando com sabedoria e paciência.

Era exímio na pureza de costumes, a qual reluzia a ponto de um de seus mestres, chamá-lo de “divus adolescens — jovem divinizado”.

De onde lhe vinham tantas virtudes? De sua devoção à Virgem Maria e a Jesus Crucificado, de quem meditava amiúde a Paixão. Nunca perdia o ensejo de assistir a uma Missa na qual ficava evidente a todos sua piedade e seu amor ao Santíssimo Sacramento. Quando no Palácio Real ninguém sabia onde ele estava, o encontravam em alguma igreja, em oração.

Nessas orações pedia o dom da sabedoria e a virtude da justiça para saber governar, bem como o espírito de vigilância, a fim de nunca prevaricar como Salomão.

Por dois anos foi regente da Polônia, quando seu pai precisou transferir-se para a Lituânia. Aplicou-se com tal bom senso à administração, que conseguiu em pouco tempo estabilizar o tesouro real. Favoreceu de modo especial a construção ou reparo de igrejas por todo reino. Não se sentia bem se não visse o Rei dos reis, Jesus Sacramentado, honrado em dignos templos e ricos objetos litúrgicos.

Apesar de muito jovem — tinha pouco mais de 20 anos —, o peso das responsabilidades e trabalhos acabaram por extenuar o santo príncipe. Somavam-se a isso as contínuas mortificações que fazia. Retirou-se com a família para a Lituânia, a fim de recuperar a saúde.

Castelo de Trakai

Os últimos meses de vida, os passou em Vilnius e Trakai (Lituânia), auxiliando o pai na chancelaria do Estado lituano e promovendo a Fé entre o povo.

No dia 4 de março de 1484, entregou a alma a Deus. Seu corpo foi sepultado no jazigo da família real, na catedral de Vilnius. Tinha 25 anos de idade e havia guardado intacta sua pureza.

Quando foi exumado, 120 anos depois, e apesar da umidade do local, o corpo estava incorrupto. Segundo relato das testemunhas, dele exalava um agradável odor. Intactas estavam também suas vestes.

Foi canonizado em 1521 e declarado Padroeiro da Polônia e da Lituânia. Não chegou a ser coroado na Terra como rei, porque faleceu com pouca idade, mas lhe foi dada a coroa da glória nos Céus.

.

Baseado em “São Casimiro, o primeiro santo jovem leigo da era moderna”, Pranas Gavenas, Ed. Salesiana D.Bosco, 1984. Ver Biografia mais detalhada na revista “Arautos do Evangelho”, nº 147, março de 2014, pp. 30-33, autoria de Lucilia Lins Brandão Veas, EP.