Um magnífico escrínio para uma preciosa relíquia

Nosso Senhor coroado de espinhosA coroa de espinhos que os algozes teceram e depositaram na santa fronte de Nosso Senhor Jesus Cristo carrega atrás de si uma história muito conturbada.

Após a morte do Divino Salvador, foi reverentemente preservada por quem desceu seu corpo da cruz, se conservou em Jerusalém, e foi mencionada publicamente pela primeira vez no ano 400, numa carta escrita por São Paulino de Nola.

Foi levada à Pérsia juntamente com a Santa Cruz no ano de 614. Ambas relíquias voltaram depois da vitória de Heráclito, e a coroa foi guardada na Igreja do Santo Sepulcro. Durante todo esse período, muitos dos espinhos foram destacados da coroa, afim de entregá-los a determinados bispos e monarcas católicos. A imperatriz Irene enviou oito ao Imperador Carlos Magno.

Em 1063 a Santa Coroa foi transladada de Jerusalém a Constantinopla, onde se reuniu o primeiro grupo de Cruzados ao tomar a cidade em 1204. O segundo imperador no tempo das Cruzadas, Balduíno II, encontrando-se com problemas econômicos, e com o intuito de salvaguardar tão preciosa relíquia, tomou um empréstimo da República de Veneza, e ofereceu logo enviá-la ao Rei de França, São Luís, se quisesse resgatá-la por 160.000 francos, soma altíssima para a época.

Sainte Chapelle
Sainte Chapelle

Temporariamente a Coroa de Espinhos foi cuidadosamente guardada na catedral de Notre Dame. Entretanto o santo monarca, São Luís, querendo dar as devida honra à sacrossanta relíquia, mandou que o arquiteto mais famoso da época construísse nas proximidades do palácio uma nova capela digna da relíquia: a Sainte Chapelle, uma verdadeira joia da arte gótica.

Infelizmente, as relíquias permaneceram nela até a Revolução Francesa quando a capela foi profanada e convertida em clube. Transladada então à Abadia de Saint Denis, se apoderou dela o governo revolucionário, por considerá-la um “objeto fomentador de superstições”.

Por fim, encontrou-se um meio de salvá-la, foi dividida em três partes que se conservaram na Biblioteca Nacional. Uma delas ficou com os católicos. Assim que terminou a revolução, a três partes da coroa foram reunidas. Havendo sido certificada sua autenticidade por uma comissão eclesiástica, voltou a Saint Chapelle.

Como o Palácio Real estava transformado em Sede do Governo, retornou para Notre Dame, onde Napoleão mandou fazer um maravilhoso relicário.

Ainda hoje, em muitos lugares do mundo são venerados Espinhos da Coroa.

Relicário da Coroa de Espinhos, Catedral de Notre Dame
Relicário da Coroa de Espinhos, Catedral de Notre Dame