Por que se cobrem as imagens na Semana Santa?

O sexto domingo da quaresma, com o qual se inicia a semana santa. Era chamado antigamente de Primeiro Domingo da Paixão por ser uma preparação próxima do Tríduo Sacro. Atualmente é chamado “Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor”. Dá-se esta designação, porque daí em diante, nas preces e no pensamento da Igreja, tratar-se-á dos sofrimentos da Paixão de Nosso Senhor.

Tradicionalmente se cobrem as imagens de Nosso Senhor, de Maria Santíssima, dos Santos e cruzes da Igreja com um véu roxo, como sinal de luto e penitência. Esse era um costume ligado aos penitentes públicos, que eram expulsos do interior da igreja, dentro dos rituais penitenciais públicos. Como toda a comunidade é pecadora, passou-se a privar a todos da visão do altar, das cruzes e imagens de santos.

E também porque antigamente no início da quaresma, se cobria e tirava da Igreja tudo o que servia de ornato. Segundo o piedoso pensar da Idade Média e da Liturgia, a igreja material deve tomar parte na penitência da Igreja, Esposa de Cristo. Ornato do altar são “as cruzes, relicários, evangeliários, etc”. Por conseguinte a cruz era considerada como objeto de ornato e como tal coberta. Só coberta se deve levar pela igreja. Do véu da cruz e das outras alfaias passou-se, por ser mais cômodo e mais expressivo, ao véu do altar inteiro e depois de todo o coro, a parte mais enfeitada do santuário. Neste caso tomou o nome de véu quaresmal (velum quadragesimale) e recordava aos fiéis a obrigação de jejuar (pano de fome). Impedia aos fiéis a vista do “Santo dos Santos”, equiparando-os de algum modo aos penitentes públicos, os quais na quarta-feira de cinzas deviam sair da igreja. O costume, de algumas igrejas, de cobrir as cruzes e as alfaias no domingo da Paixão, por causa das palavras do Evangelho: “Jesus escondeu-se”, tornou-se geral.

A cerimônia parece ser de origem galicana. Era conhecida na Gália já no século VII, na Itália por volta de 1000. Toda a sua significação profunda mística só a recebeu no século XI pelo lugar predominante no próprio altar, ao passo que antes tinha sido colocada diante ou atrás do altar ou em outro lugar. A cruz velada no altar representa o grande mistério de que Nosso Senhor, escondendo-se dos seus inimigos, escondeu a sua divindade por nosso amor. Com este heroísmo inflama o coração nobre a amar o Redentor tão amoroso, que foi capaz de tamanha humilhação para alcançar aos filhos adotivos de Deus a glorificação no céu.

Em muitas igrejas existe o costume de velar todo o altar com pano roxo, o qual se descerra ao Glória no sábado santo.

Nas Vésperas, canta-se o hino “Vexilla regis”, canto de louvor à cruz (Deve-se ajoelhar na estrofe: “O cruz, ave, spes unica” “Salve, ó cruz, nossa única esperança”).