PELOS SÉCULOS E CONTINENTES

colecao-particularImaginemos um adolescente ou mesmo uma criança que, convive com uma avó bastante idosa, mas lúcida e alegre em conviver com o neto. Em certo dia o menino aparece com uma fotografia da avó quando ela era jovem:

 

— Vó, mãe disse que essa é a senhora… e que roupa diferente a senhora esta usando!

 

— Deixa ver… Hum… Aí, eu ainda morava na Suíça, na chácara que papai trabalhava.

 

Se tais diferenças chamaram a atenção do esperto menino, o que seria

procurarmos ver como Nossa Senhora foi representada através dos tempos e dos lugares? Vejamos algo disso

 

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O culto a Nossa Senhora remonta ao início da Cristandade, e foi crescendo ao longo do tempo, fazendo-A figurar na pluma dos mais insignes pensadores, nos lábios dos mais eloquentes pregadores, e também nas obras dos mais talentosos artistas.

 

Em dois milênios de Cristianismo, a figura ímpar de Maria Santíssima foi representada das mais variadas formas. Em sua fase inicial, a Igreja A concebeu como Virgem Orante, com os braços abertos em sinal de prece, e sem o Menino Jesus. Ou ainda como Virgem Mãe, deixando transparecer uma divina pureza em sua feição.

Virgem Orante - primeiros séculos
Virgem Orante – primeiros séculos

No período românico, Maria é principalmente representada como Mãe de Deus, majestosa, ereta, com olhar hierático. Sentada em trono como Rainha, tem sobre os joelhos Jesus, a Sabedoria Eterna, e O apresenta ao mundo com gesto respeitoso, segurando-o com as duas mãos.

 

Desde o final do século XII, a hieraticidade cede lugar ao movimento. O Menino Deus “muda” de posição: tal imagem O apresenta num dos braços da Mãe, tal outra sobre os joelhos. A figura da Virgem ganha em destaque e simbolismo

 

No século XIII, em pleno auge do gótico, tudo canta o louvor à Santíssima Virgem: inúmeras igrejas são levantadas em Sua honra e a Liturgia A celebra abundantemente. Na pintura e na escultura, a Rainha e Mãe toma ares de uma nobre dama que brinca com seu Filhinho e O abraça com todo afeto.

Nossa Senhora de Paris
Nossa Senhora de Paris

Depois da Idade Média, rompem- se os estreitos vínculos entre a arte e a Fé. A escultura e a pintura se materializam. Na Renascença e no período Moderno, enquanto progredia a técnica de como fazer, perdia- se em boa medida o espírito de como criar. Apesar disso, as manifestações de devoção a Nossa Senhora não deixaram de crescer.

 

Por exemplo, em tempos recentes a Solenidade de Santa Maria Mãe de Deus, é comemorada pela no dia 1º de janeiro. Assim, o ano se inicia sob Seu olhar e Sua proteção.

 

NAS VASTIDÕES DA TERRA

Considerando não mais os séculos, mas os povos, a figura da Santíssima Virgem ganha aspectos peculiares, muitas vezes reveladores da mentalidade desses lugares.

Nossa Senhora - Japão
Nossa Senhora – Japão

Se analisarmos, por exemplo, Maria Santíssima vista por olhos japoneses ou a Macarena, tão espanhola, vemos que é a mesma Virgem Maria. Uma lembra a placidez e as cerejeiras do Oriente misterioso, outra a exuberância de expressão do povo espanhol.

 

Damos a seguir uma galeria de imagens de Nossa Senhora em vários povos. O nosso caro visitante poderá, ao menos, escolher entre várias representações de Nossa Senhora alguma cujo olhar exprima mais adequadamente Aquela que, nas palavras de São Tomás de Aquino “chegou aos confins da divindade”. (*)

 

 

(*) SÃO TOMÁS DE AQUINO. Suma Teológica, I, q.25, a.6, ad. 4.

 

(Condensado e adaptado do artigo “Um olhar com mil facetas”, do Pe. Antônio Guerra de Oliveira Jr., EP na  Revista Arautos do Evangelho, nº 100, de abril de 2010.)

 

Ilustrações: Arautos do Evangelho, flickr, wiki, coleção particular