É bastante conhecido o fenômeno do heliotropismo, pelo qual as plantas “procuram” a luz do sol. Muitos teólogos fazem uma analogia com algo semelhante, existente no homem: a tendência em buscar a Deus. Devido a semelhança, chegam a chamar de “teotropismo”.

É uma forma de teotropismo buscar o que nos leva a Deus e, mais concretamente, ter uma especial apetência em relação a Nossa Senhora, escolhida pelo próprio Deus para vir a nós. Dr. Plinio Corrêa de Oliveira aborda este tema:

AS ALMAS PROCURAM MARIA COMO AS PLANTAS PROCURAM O SOL (*)

Plinio Corrêa de Oliveira

É um fato curioso e edificante na vida da Igreja que, sendo esta depositária das verdades teológicas as mais altas e complexas, a massa dos fiéis, entretanto, servida por uma especial acuidade de visão, penetra e vive essas verdades ainda mesmo quando seu nível cultural pareceria vedar-lhe o acesso a qualquer atividade intelectual de ordem superior. Em tudo que se relaciona com a devoção a Nossa Senhora, esta observação se comprova com toda a clareza.

Com efeito, a doutrina marial e a devoção à Virgem Maria têm crescido constantemente, desenvolvendo-se, porém, não à moda de hipérboles afetivas e meramente literárias, mas como uma torre de raciocínios, firme como o granito, à qual cada geração de teólogos acrescenta mais alguns andares solidamente esteados no esforço diligente desenvolvido pela razão a fim de descobrir todo o alcance e extensão das verdades reveladas.

 Multidões como a que aclamou o dogma da   Assunção de Maria

Entretanto, é tocante observar como a piedade popular, ignorando muitas vezes os argumentos da Teologia sagrada e deixando-se guiar em grande parte pela finura de sua sensibilidade, desce até o âmago profundo das verdades teológicas ensinadas pela Igreja e sabe vivê-las com uma autenticidade de convicções e sentimentos que não se poderia explicar sem a ação do Espírito Santo.

Não há um povo que não tenha ao menos um grande Santuário nacional erigido em honra de Maria Santíssima, no qual a Rainha do Céu faça chover sobre os homens, com abundância, as graças espirituais e temporais.

A Igreja nunca mandou que cada povo erigisse um Santuário nacional particularmente dedicado à Santíssima Virgem, mas se limitou a definir as verdades mariais. Na maioria dos casos, a piedade entusiástica dos fiéis tem seguido seu curso, a ponto de se poder sustentar que quase todas as festas de Nossa Senhora e as formas de piedade com que Ela é honrada nasceram na massa dos fiéis espontaneamente ou por meio de revelações particulares, sendo posteriormente sancionadas pela Igreja.

Isto porque a piedade popular sente viva e profundamente que Nossa Senhora é, na realidade, a Mãe de todos os homens, e especialmente dos que vivem no aprisco da Igreja de Deus. E sente, ainda, que a mediação d’Ela é a porta segura para se ter acesso junto ao trono do Criador.

                                   Círio de Nazaré – Belém do Para

 

(*) Título da redação deste Blog. Trecho de artigo publicado na revista “Dr. Plinio”, nº 247, outubro 2018, p. 4. Para acessar a revista “Dr. Plinio” clique aqui )

 

Ilustrações: Arautos do Evangelho, abp, Ossevatore Romano