São Bernardo de Claraval e o “Sermão sobre o Missus est (o enviado)”

Breve histórico sobre São Bernardo

Dia 20 de Agosto – A Igreja comemora São Bernardo de Claraval. Foi Abade, Santo e Doutor da Igreja. Nascido em 1090 em Fontaine-lès-Dijon, uma comuna (menor subdivisão administrativa do território francês) na região de Borgonha. Faleceu, aos 63 anos, na Abadia de Claraval, em 1153.

Grande propagador da Ordem e defensor da Igreja foi uma das personalidades mais influentes do século XII. Escreveu a regra dos Templários entre outras obras como o Tratado do Amor de Deus e o Comentário ao Cântico dos Cânticos. Foi também o compositor ou redator do hino Ave Maris Stella. Também é sua a invocação: “Ó clemente, ó piedosa, ó doce Virgem Mariapresente ao final da oração Salve-Rainha. É também o autor da célebre sentença de que “DEUS quis que recebamos tudo por MARIA”; sentença esta que através dos séculos se transformou numa espécie de senha Mariana.

Aos nove anos de idade é enviado para a Escola Canônica de Châtillon-sur-Seine, onde mostra um gosto particular pela literatura. Em 1112, decide entrar na Abadia de Cister, fundada em 1098 por São Roberto de Molesme. Convence vários amigos, irmãos e parentes a ingressarem com ele na vida monástica e chega assim com outros 30 candidatos para entrar na Abadia. Bernardo busca formação, sempre inspirado na Bíblia, nos Padres da Igreja e numa predileção, quase que exclusiva, pelo Cântico dos Cânticos e por Santo Agostinho.

São Bernardo fundou aproximadamente 70 mosteiros, na França, Espanha, Inglaterra, Irlanda, Flandres, Itália, Dinamarca, Suécia e Hungria, além de muitos outros que vieram a filiar-se à Ordem. Em 1151, dois anos antes de sua morte, existiam aproximadamente 500 abadias cistercienses e 700 monges ligados a Claraval.

Foi canonizado em 1174 por Alexandre III e declarado Doutor da Igreja por Pio VIII em 1830.

Estrelas da Coroa de Nossa Senhora e os Sermões de São Bernardo

Felipe Rinaldo Queiroz de Aquino, entre tantas atividades, é professor de História da Igreja do Instituto de Teologia Bento XVI na Diocese de Lorena, apresenta programas que transmitem a fé e a doutrina da Igreja Católica na Rede Canção Nova, é escritor de artigos e autor de vários livros.

Em seu livro: A Mulher do Apocalipse1, numa linguagem atrativa que prende a atenção do leitor, nos faz conhecer melhor a Mãe de Deus e Nossa Mãe. Citando São Luiz Maria Grignion Monfort, Santo Afonso Maria Ligório e São Leão Magno, entre tantos outros Santos e Doutores da Igreja Católica, pontua sobre as doze estrelas da coroa d

e Nossa Senhora, revelando todo seu poder e Majestade: “Apareceu em seguida um grande sinal no céu: uma Mulher revestida do sol, a lua debaixo de seus pés, e na cabeça uma coroa de doze estrelas” (Ap 12,1). São elas:

1ª ESTRELA – A Imaculada Conceição

2ª ESTRELA – A Virgindade Perpétua

3ª ESTRELA – A Maternidade Divina

4ª ESTRELA – Bendita Entre Todas as Mulheres

5ª ESTRELA – Esposa do Espírito Santo

6ª ESTRELA – Submissão de Jesus a Maria

7ª ESTRELA – Vencedora de satanás e das heresias

8ª ESTRELA – Medianeira de Todas as Graças

9ª ESTRELA – Mãe da Igreja e Nossa Mãe

10ª ESTRELA – Assunta ao Céu

11ª ESTRELA – Rainha do Céu e da Terra

12ª ESTRELA – Molde da Santidade

Discorrendo acerca da 2ª Estrela – A Imaculada Conceição – encontramos na página 22, a citação do “poeta apaixonado de Maria”, como ficou conhecido São Bernardo ao compor o “Sermão sobre o Missus est” (o enviado). É também da autoria deste Grande Santo da Igreja, o “Sermão do Aqueduto”, citado pelo autor na página 107, quando fala que Maria é também Mãe da Igreja, em sua 9ª Estrela (Mãe da Igreja e Nossa Mãe).

São Bernardo escreveu numerosas obras, milhares de cartas e mais de 300 sermões. Nestes Sermões, de rara beleza literária e grande entusiasmo, fazem-nos refletir mais profundamente e intensamente sobre a importância da Devoção Mariana e apresentam, de forma poética, sua estreita ligação com “o enviado”. Passamos a transcrever, para contemplação e inspiração de todos, o “Sermão sobre o Missus est”:

Sermão sobre o Missus est

Ó tu, quem quer que sejas, que nas correntezas deste mundo te apercebas: antes ser arrastado entre procelas e tempestades do que andando sobre a terra, desviares os olhos desta Estrela, se não queres afogar-te nessas águas.

Se se levantam os ventos das tentações, se cais nos escolhos dos grandes sofrimentos, olha a Estrela, invoca Maria.

Se as iras, ou avareza, ou os prazeres carnais se abaterem sobre tua barca, olha para Maria.

Se, perturbado pelas barbaridades de teus crimes, se amedrontado pelo horror do julgamento, começas a ser sorvido em abismos de tristeza e desespero, pensa em Maria.

Nos perigos, nas angústias, nas dúvidas, olha para a Estrela, pensa em Maria, invoca Maria. Que ela não se afaste de teus lábios, não se afaste de teu coração.

E, para que possas pedir o auxílio de sua oração, não esqueças o exemplo de sua vida. Seguindo-a, não te desviarás; suplicando-lhe, não desesperarás; pensando nela, não errarás. Se ela te segurar, não cairás; se te proteger, não terás medo; se ela te conduzir, não te fatigarás; se estiver do teu lado, chegarás ao fim. E assim experimentarás em ti mesmo quanto é verdade aquilo que foi dito: “E o nome da Virgem era Maria”.

REFERÊNCIAS:

1- AQUINO, Felipe Rinaldo Queiroz. A mulher do apocalipse. Edições Loyola, São Paulo, SP, 3ª edição 1995.

2 – MONFORT, São Luiz Maria Grignon. Tratado da verdadeira devoção à Santíssima Virgem. Editora vozes, Petrópolis, RJ, 41ª edição, 2012.