Skip to main content

Quando teremos a Paz?

Início de maio de 1945. O mundo comemorava o fim da Segunda Guerra na Europa; após quase 11 milhões de mortos de ambos os lados, afinal a Alemanha nazista capitulava. Era a paz?

Infelizmente, não. Nos meses seguintes, além da Guerra continuar no Pacífico, a Rússia, cavorteiramente, continuava a dominar toda Europa Oriental. A Guerra que começara para defender a Liberdade da Polônia contra o agressor alemão, tivera como fruto o domínio não só da Polônia, mas de todos os paises do leste europeu pela Rússia.

Era mais uma das previsões de Nossa Senhora em Fátima que se realizava: “a Russia espalhará seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja”. Para compreendermos o essencial da maternal advertência da Santíssima Virgem, o Mons. João Clá, EP, Fundador dos Arautos do Evangelho esclarece bem o assunto no texto a seguir.

O QUE FALTA PARA TERMOS A PAZ? (1)

Mons. João Socognamiglio Clá Dias, EP

Em 1917 a Virgem advertira os pastorinhos de acontecimentos trágicos que viriam, caso a humanidade não desse ouvidos à sua admoestação, como a Segunda Guerra Mundial, ocorrida de 1939 a 1945, e a expansão dos erros do comunismo ateu, a partir da revolução bolchevique eclodida na Rússia apenas um mês depois da sexta aparição.

Pedia Ela também, de forma materna e insistente, a conversão; caso contrário, duras perseguições se desencadeariam contra a Igreja e a mão de Deus puniria a terra por sua infidelidade.

O futuro estava nas mãos dos homens. Deles dependia atrair sobre si o perdão ou a desgraça.

Cena da Segunda Guerra Mundial

A Mensagem de Maria Santíssima bem poderia ser sintetizada numa frase da Escritura, várias vezes repetida pela Liturgia: “Olha que hoje ponho diante de ti a vida com o bem, e a morte com o mal” (Dt 30, 15). Isto porque a Celestial Mensageira lembrava aos homens os apelos de seu Divino Filho: “Completou-se o tempo e o Reino de Deus está próximo; fazei penitência e crede no Evangelho” (Mc 1, 15).

A humanidade, porém, qual estrada seguiu? A estreita, nobre e luminosa que leva à vida? Ou a larga, inclinada e tenebrosa que conduz à morte? Não há, caro leitor, um bom católico que não tenha resposta a tais indagações…

Em função deste panorama, o que virá a acontecer? Eis a auréola de mistério que paira sobre a humanidade: qual será o porvir de nossa civilização contemporânea?

Todavia, por cima das previsões mais catastróficas, é preciso ter diante dos olhos o nascer de um sol de esperança. Sim, pois o decreto divino anunciado pela bela Senhora foi o de sua gloriosa vitória: “Por fim, o meu Imaculado Coração triunfará”. (1)

E, sem dúvida alguma, a pergunta mais crucial em nossos dias é esta: quanto falta para vermos, efetivamente, Jesus e Maria reinarem nos corações, na cultura, nas famílias e na sociedade?

 

(1) MONS. JOÃO SCOGNAMILGIO CLÁ DIAS, EP, “Por fim o meu Imaculado Coração triunfará!”, Instituto Lumen Sapientiæ, São Paulo, 2017, p. 7-9, (com ligeiras adaptações).
(2)   IRMÃ LÚCIA. Memórias I.  Quarta Memória,  c.II,  n.5, 13.ed.  Fátima: Secretariado dos Pastorinhos,  2007, p.177.

 

Ilustrações: Arautos do Evangelho, wiki

Fátima, a grande esperança

Neste dia 13 de outubro completam-se 100 anos da última aparição de Nossa Senhora em Fátima. Várias das previsões feitas pela Santíssima Virgem que constituíam ameaças de punição se realizaram: a Segunda Guerra Mundial, a expansão soviética, etc. Na mensagem de Fátima há, porém, uma promessa muito alentadora: o triunfo do Imaculado Coração de Maria.

Para evitar as punições, Nossa Senhora colocou uma condição: arrependimento e penitência. Para esse triunfo Nossa Senhora não colocou nenhuma condição. Afirmou simplesmente que triunfará. Para firmar bem essa certeza do triunfo, são de enorme valia as considerações do Mons. João Clá, Fundador dos Arautos do Evangelho que damos a seguir.Leia mais

Fátima, aurora de uma nova era histórica

No dia 13 de setembro de 2017 ocorrerá o centenário da penúltima aparição de Nossa Senhora em Fátima. Com Fátima ocorreu um fenômeno como poucas vezes ocorre: Deus manda como Mensageira a própria Virgem Santíssima, mas, ao par de que muitos já ouviram falar de Fátima e até conhecem a imagem, poucos conhecem o conteúdo da mesma.


Leia mais

DISCÍPULO E “ALTER EGO” DE PLINIO CORRÊA DE OLIVEIRA

  Um testemunho vivo acaba de vir a lume: “O dom de sabedoria na mente, vida e obra de Plinio Corrêa de Oliveira”, coleção em cinco volumes publicada pela Libreria Editrice Vaticana.

Quarenta anos de convivência com seu mestre, modelo e guia fazem de Mons. João Scognamiglio Clá Dias, EP, a voz mais autorizada para falar da atuação, virtudes e pensamento de Plinio Corrêa de Oliveira.

Veja como isso se deu.Leia mais

Curso de Férias

Entre os dias 18 e 22 de julho os alunos do Projeto Futuro&Vida, dos Arautos doDSC00046 Evangelho, do Brasil e também de outros países tais como Espanha, PeLeia mais

Solene Consagração à Sabedoria Encarnada pelas mãos de Maria

Na terça-feira (12 de julho) doze jovens participantes do Projeto Futuro&Vida, fizeram sua   IMG_1458Solene Consagração à Sabedoria Encarnada pelas mãos de Maria, segundo o método ensinado por São Luis Maria Grignion de Montfort. A data tão esperada, foi ocasião de Leia mais

O dom de sabedoria na mente, vida e obra de Plinio Corrêa de Oliveira.

Clique aqui para ver

 

PAGAR O MAL COM O BEM

Volta do filho pródigo - Vitral na Catedral de Ferrara (Itália)

Volta do filho pródigo – Vitral na Catedral de Ferrara (Itália)

Ouvimos muitas vezes este ou aquele falar em “amar o próximo”. Há, porém, uma categoria de “próximo” que muitas vezes é o mais difícil de amarmos: é aquele que nos causou algum mal. A estes, a forma de amar é dada pelo próprio Jesus: perdoar a seu irmão, de todo seu coração, (Mt 18, 35b) Esta forma de amor é comentada pelo Mons. João Clá, Fundador e Superior Geral dos Arautos do Evangelho no texto transcrito a seguir.Leia mais

Um grande esquecido

Ouvi certa vez de uma pessoa de muito bom senso a seguinte frase: “o óbvio, nós esquecemos”. É o que acontece com o culto devido a São José. Não seria compreensível que Deus feito homem, Jesus, colocasse junto a Si, como pai adotivo, uma pessoa apagada, sem brilho.

O Mons. João Clá, EP, fundador e Superior dos Arautos do Evangelho, nos esclarece a razão dessa insuficiência no culto a São José no trecho introdutório de seu comentário à Solenidade do Santo, transcrita a seguir.

 

* * *
UM SANTO INSUFUCIENTEMENTE VENERADO

Mons. João Scognamiglio Clá Dias, EP

.

Figura ímpar, exaltada pela Igreja junto com a de Maria, nunca será suficiente louvar São José, tal a quantidade de maravilhas e privilégios com que aprouve a Deus cumulá-lo. Infelizmente este glorioso Patriarca muitas vezes é esquecido, sendo seu culto menor do que mereceria.

 

Encontramos uma explicação para isso no desvio ocorrido nos primeiros tempos do Cristianismo com relação à devoção a Nossa Senhora. Com efeito, os fiéis admiravam tanto a grandeza d’Ela que alguns chegaram a reverenciá-La como se fosse uma deusa (1).

 

Ensina São Tomás de Aquino (2) que toda situação intermediária, considerada a partir de um dos extremos, se parece com o oposto. E foi o que se deu com o culto à Santíssima Virgem, pois, analisada a partir de nossa condição de criaturas concebidas no pecado original, Ela parece mais perto de Deus do que de nós.

 

A Igreja evitou esse erro mantendo certos limites nas demonstrações de piedade mariana. Só no século IV declarou o dogma da maternidade divina, definindo a participação relativa de Maria no plano da união hipostática, o mais alto grau de toda a ordem da criação, e deixou passar longos séculos para, afinal, proclamar sua Conceição Imaculada.

 

Foi preciso, no início, fixar a adoração a Nosso Senhor Jesus Cristo para depois estimular o amor à Mãe de Deus, ao sabor dos ritmos divinos soprados pelo Espírito Santo.

 

Com relação a São José, não parece ser outra a razão. Talvez Nosso Senhor tenha querido que certos aspectos desse varão permanecessem ocultos para impedir que, exageradamente enaltecidos, viessem a ofuscar a figura de Cristo, pois as atenções deviam estar todas voltadas para Ele.

Sonho de São José

Não é compreensível, entretanto, que sendo Jesus o Homem-Deus, nascido de uma Mãe Imaculada, colocasse junto a Si, como pai adotivo, uma pessoa apagada, sem brilho. Portanto, se durante vinte séculos São José permanece escondido e retirado, é de se esperar que esteja chegando a hora em que a teologia explicite verdades novas a seu respeito, pelas quais se torne conhecido, com exatidão e nas suas minúcias seu papel na Sagrada Família e a categoria de sua elevação enquanto esposo de Maria, pai de Jesus e Patriarca da Santa Igreja.

 

.

(1) Cf. ALASTRUEY, Gregorio. Tratado de la Virgen Santísima. 4.ed. Madrid: BAC, 1956, p.841.

(2) Cf. SÃO TOMÁS DE AQUINO. Suma Teológica. I, q.50, a.1, ad 1.

* * *

(Transcrito do artigo do Mons. João Scognamiglio Clá Dias, “Elevado a alturas inimagináveis…” na revista “Arautos do Evangelho”, nº 147, março de 2014, pp. 11-12)

Contradição no Evangelho?

Encontramos no Evangelho duas recomendações aparentemente contraditórias: “Guardai-vos de fazer vossas boas obras diante dos homens” (Mt 6,1a) e mais adiante o próprio São Mateus diz: “Assim também brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e louvem o vosso Pai que está nos Céus”. (5, 16).

Sabemos antecipadamente que toda Sagrada Escritura é de inspiração divina e, portanto, não pode haver contradição. Um trecho do Mons João Clá, fundador dos Arautos do Evangelho esclarece bem a questão.

* * *

Não tenhamos medo de praticar a virtude

Mons. João Scognamiglio Clá Dias, EP

Como lâmpadas a reluzir na escuridão, Nosso Senhor quer que os cristãos iluminem os homens com suas boas ações. Isto é, o bem precisa ser proclamado sem respeito humano e aos quatro ventos, num mundo que estadeia a luxúria e o ateísmo.

Ao se encontrar em um ambiente hostil, o bom muitas vezes tende a se encolher, a se intimidar, quase se desculpando por não ser dos maus… o que é absurdo! Pelo contrário, a verdade e o bem devem gozar de plena cidadania, onde quer que seja.

Contudo, caberia perguntar se tal recomendação não estaria em conflito com os conselhos de Nosso Senhor Jesus Cristo, transmitidos pouco mais adiante pelo próprio São Mateus: “Guardai-vos de fazer vossas boas obras diante dos homens, para serdes vistos por eles” (6, 1), e “que tua mão esquerda não saiba o que fez a direita”(6, 3).

A resposta é simples: Jesus não quer que nossas boas obras sejam movidas por interesses mundanos ou por desejo de chamar a atenção, como acontecia aos fariseus, os quais faziam “todas as suas ações para serem vistos pelos homens” (Mt 23, 5) e mandavam tocar a trombeta quando davam alguma esmola. Ele pede de nós, isto sim, uma vida tão edificante que os homens se sintam impelidos a imitá-la, glorificando a Deus cuja face resplandece nos que Lhe são fiéis.

Acrescente-se a isso que o reluzimento do justo é fruto de sua união com Deus e da ação da graça, não dependendo, portanto, da vontade de cada pessoa. “Sejam os cristãos no mundo aquilo que a alma é no corpo”. ⁽¹⁾

Por isso, é necessário não ter receio de proclamar por toda parte a nossa Fé, a nossa vocação, a nossa determinação de seguir a Cristo.

São Francisco

Expressivo nesse sentido é o célebre episódio da vida de São Francisco de Assis, ao convidar frei Leão para acompanhá-lo a uma pregação. Os dois simplesmente andaram pela cidade, imersos em sobrenatural recolhimento, e retornaram ao convento sem dizer uma palavra. Ao ser indagado acerca da pregação, o Santo respondeu ter ela sido realizada pelo fato de dois homens se mostrarem de hábito religioso pelas ruas, guardando a modéstia do olhar. ⁽²⁾

É o apostolado do bom exemplo.

.

⁽¹⁾ CONCÍLIO VATICANO II. Lumen gentium, n.38.

⁽²⁾ Cf. SANTO AFONSO MARIA DE LIGÓRIO. La dignidad y santidad sacerdotal. La Selva. Sevilla: Apostolado Mariano, 2000, p.306.

* * *

Tirado de: Mons. João Scognamiglio Clá Dias, EP, “O inédito sobre os Evangelhos”, Libreria Editrice Vaticana, 2013, vol. II, p. 64-65.