A escravidão entre os antigos era imposta. Muitos eram vendidos como escravos, os reis podiam vender seus súditos. Sobretudo, em uma guerra, os vencedores subjugavam e escravizavam os vencidos. Assim, em sentido lato, o termo escravidão preconizava um rebaixamento e um aviltamento de seu portador. Mas, em determinado momento histórico, dois termos, aparentemente antagônicos, uniram-se: escravidão e amor.

Para São Luís Maria Grignion de Montfort, grande apóstolo e missionário do século XVII, difusor de uma forma especial de consagração a Nossa Senhora, a escravidão de amor a Virgem Maria é o oposto dessa antiga forma de escravidão. A escravidão proposta por ele é um vínculo de dependência que nós aceitamos em relação a Nossa Senhora, porque A amamos. Ou seja, nós A queremos tanto, temos n’Ela tal confiança, que queremos fazer tudo quanto Ela quer. É uma dependência que não é imposta por força, mas sim aceita por amor.

Assim fizeram os consagrados presentes na Missa de ontem, celebrada pelo Revmo. Pe. Antonio Guerra, EP, e concelebrada pelo Revmo. Pe. Paulo Sérgio, EP. Entregaram-se livremente à Rainha dos céus e da terra, recebendo dela em troca, seus dons, virtudes e graças. Tenhamos a convicção de que a “escravidão de amor” é, pois, essa angélica e suma liberdade com que Nossa Senhora espera a cada um de seus filhos: sorridente, atraente, convidando-os para o Reino d’Ela, segundo sua promessa em Fátima: “Por fim, o meu Imaculado Coração Triunfará”.