Carta aos Arautos

Com alegria publicamos hoje o testemunho do pai de um jovem aspirante a Arauto do Evangelho. Ele o fez parafraseado uma poética carta abaixo citada. Por que escolheu algo poético? Os analistas de estilos literários comentam que a poesia diz muita coisa que a simples prosa não alcança, pois remete para realidades inefáveis. Ou seja para o que não é “fável” [“dizível”].

Não queremos deixar de testemunhar também: tudo o que temos e somos devemos às graças obtidas pelos rogos de Maria Santíssima, e, nesta terra, à fidelidade e orientações de nosso fundador, Mons. João Scognamiglio Clá Dias, EP.

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Baseado na Carta a El-Rei Portugal, obra de Guilherme Joaquim Moniz de Barreto ⁽¹⁾

Em 15 de março de 1863, nascia em Goa (antiga possessão portuguesa na costa oeste da Índia) Guilherme Joaquim Moniz de Barreto; jornalista, ensaísta e crítico literário. Viveu em Lisboa, onde fez o curso de Letras e, depois de uma rápida passagem pelo Brasil, foi a Paris trabalhar como jornalista, onde faleceu em 1896. É considerado o criador da moderna crítica literária em Portugal e num texto de grande beleza e conteúdo soube, no ano de 1893, exprimir a nobreza da profissão militar, por meio de uma Carta enviada ao Rei de Portugal, cujo texto foi publicado no Jornal do Exército de Portugal.

Sou militar do Exército Brasileiro e frequento as atividades dos Arautos do Evangelho há cerca de dois anos. Neste período, tive a graça de contemplar várias atividades, o carisma e a espiritualidade destes nossos irmãos em Cristo e pude observar algumas similaridades entre o ofício religioso e a profissão militar.

No brasão, os carismas:
Eucaristia, Maria e o Papa

É notório a obediência às normas de hierarquia e disciplina, o culto a valores éticos e morais, a retidão de atitudes alicerçada no exemplo de antepassados, sejam eles Santos ou Heróis Militares.

Inspirado nesta obra do século XIX e com o indispensável auxílio do Revmo. Diácono Paulo Sérgio Martins, EP, descrevo os Arautos do Evangelho conforme feito neste transcrito.

Esta descrição materializa um pequeno agradecimento e uma singela homenagem a todos os Arautos do Evangelho, de todas as Ordens e de uma forma muito especial aos Arautos do Evangelho de Ponta Grossa-PR. Procura agradecer, não só de minha parte e de minha família, mas acredito que de todos aqueles que tem a alegria e a satisfação pela sua salutar convivência.

EMERSON ANGELO TOZETTO
Subtenente da Arma de Comunicações
do Exército Brasileiro – Outubro de 2013

“Senhor, umas casas existem em vosso reino onde homens vivem em comum. Comendo do mesmo alimento, dormindo em leitos iguais. De manhã ao toque do sino se levantam para a oração, o estudo e a evangelização (sobretudo pela cultura e pela arte). Dedicam-se especialmente à formação da juventude e estão presentes nas dioceses, paróquias, lares, favelas, escolas, hospitais, orfanatos, asilos e presídios trazendo sempre esperança, ânimo ou consolo. Atuam nas comunidades locais onde vivem e estão presentes em diversos lugares do globo terrestre.

À noite, a outro toque do sino se deitam em obediência. Consagrados à Santíssima Virgem num vínculo de dependência não imposto pela força, mas sim pelo amor, tornam-se escravos; visualmente observado pelas correntes cromadas portadas pelos mesmos.

Seu nome é acolhimento, solenidade, alegria, pulcritude, respeito e atenção a todos indistintamente. Por escolha desprezam as liberdades que escravizam, pois fizeram a opção pela escravidão que liberta. A beleza de suas ações é tão grande que os poetas não se cansam de a celebrar. Quando eles passam juntos, em procissão ou em duplas, Rosário sempre à mão em oração, conforme os pedidos feitos em Fátima, prevendo que o Imaculado Coração de Maria Triunfe, os corações mais cansados sentem estremecer alguma coisa dentro de si. A gente conhece-os por Arautos do Evangelho…

De longe os reconhecemos, botas lustradas representando suas peregrinações e as inconfundíveis túnicas guarnecidas pelos escapulários com a Cruz de Santiago. Branca à destra simbolizando a pureza ilibada, tanto de corpo quanto de alma, que caracteriza um verdadeiro filho da Virgem das Virgens. Vermelho, à sinistra, a cor do Sagrado Coração de Jesus, mostrando-nos o sacrifício que é realizado para se manter sem mácula essa Pureza, e o desejo de empreender todos os esforços a serviço da Fé. Toda ela tracejada pelo dourado, representando o amor a Lei de Deus e à Santa Igreja, e também, a nobreza da Sublime Vocação que esses jovens receberam, assim como a submissão a toda e qualquer legítima autoridade eclesiástica.

Por fim, estes religiosos são, por definição, Nobres. E quando eles se põem em marcha levam sempre à frente ou junto ao peito o Brasão que os distingue e que nos mostra toda a sua espiritualidade.

Rosário, a “arma” dos Arautos

Tal representação tem destacadas como linhas mestras a Adoração a Jesus Eucarístico, de inestimável valor na vida da Igreja para construí-la como una, santa, católica e apostólica, corpo e esposa de Cristo; a Filial Piedade Mariana, imitando a sempre Virgem onde aprendemos a contemplar n’Ela o rosto de Jesus; e a Devoção ao Papado, fundamento visível da unidade da fé.”

Salve Maria !

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⁽¹⁾ Moniz de Barreto, Guilherme Joaquim; Carta a El-Rei de Portugal,Jornal do Exército, Lisboa,1893.

Solange Zorzatto

Carta belíssima! Soube expressar muito bem quem são estes bravos ‘Soldados de Cristo’, braço direito do Santo Padre e Escravos por amor à Santíssima Virgem!
Sou apaixonada por este carisma desde o primeiríssimo instante em que avistei a majestosa Cavalaria de Maria… E tal foi a graça que pude oferecer um filho para tal serviço… !!!!

Salve Maria!

Sérgio Luiz Pfeiffer

Muito Bonito!!!! Que graça e que bênção termos em Ponta Grossa esta Casa dos Arautos. Isso é com certeza um sinal de predestinação para nossa cidade, que com seus inúmeros seminários , conventos, etc. Já deu muitas vocações religiosas para a Santa Igreja.