Dois irmãos gêmeos: José e Luís.
Tinham tudo para vencerem na vida: saúde, recursos da família, as mesmas oportunidades, educação paterna etc. Havia, entretanto, uma “pequena” diferença.
José sempre se mostrara esforçado, aplicado, confiável. De Luís não se podia dizer a mesma coisa…
Estudaram nos mesmos colégios. José frequentemente tirava as melhores notas, recompensa merecida de sua aplicação nas aulas e estudos em casa. Luís também chamava a atenção: era difícil disputar o último lugar com ele…
Passaram-se os anos.
Em certo momento Luís deixa de frequentar o colégio. Aliás, ninguém se deu conta, pois ele quase não aparecia.
Pacientemente, José sempre tinha procurado ajudar o irmão; os pais, nem se diga. Mas… em vão.
José formou-se em Medicina e logo se destacou como um bom cirurgião. Na pequena e próspera cidade e, pouco tempo depois, em toda a região, era tido como referência em cirurgia, especialmente cardíaca.
Logo foi chamado para uma pequena metrópole vizinha: além da prática cirúrgica, foi convidado a lecionar na nascente Faculdade, ponto de atração para estudantes de umas boas centenas de quilômetros em volta e até de lugares distantes.
Enquanto isso, Luís levava o que ele chamava a “vida folgada” de sempre. Acabara por montar uma oficina mecânica, pois sempre gostara de motores e parafusos.
Certo dia José veio a sua oficina. Precisava de um rápido conserto no carro e, devido a premência de tempo, apelou para o irmão.
Debruçado sobre a caixa do motor, de repente, Luís sai-se com essa:
— Não vejo diferença entre o que eu faço e o que você faz. Afinal é a mesma coisa: abrir o motor, corrigir uma válvula, trocar umas peças…
E continuava nessa cantilena.
— Nós dois fazemos a mesma coisa. Apenas que você faz em gente e eu em carros…
José ouvia pacientemente. Já saindo da oficina, ante a insistência de Luís em repetir que “faziam a mesma coisa”, José disse apenas:
—Tente trocar as peças com o motor funcionando…
