Origem e Significado da Páscoa

Vital de Cristo Ressurrecto, Catedral da Santa Virgem Maria, Hamilton, Canadá

A Festa da Páscoa é uma das mais antigas festas religiosas, sendo ela comemorada a milhares de anos. É também uma das mais importantes festas da liturgia católica, pois nela se comemora a redenção de Nosso Senhor Jesus Cristo e sua ressurreição, na qual Ele comprou as graças para a nossa futura ressurreição e nos libertou da escravidão ao demônio, vinda do pecado de nossos primeiros pais.

O termo “Páscoa” vem do latim “Pascae”, e também é encontrado na Grécia Antiga como “Paska”, mas sua origem mais remota vem da história do povo hebreu onde aparece como “Pesach”. Seu significado em todas as línguas é “passagem”.

Na Grécia antiga esta era uma festa na qual se comemorava a passagem, ocorrida durante o mês de março, do inverno para a primavera. Era geralmente feita na primeira lua cheia, da primavera. Entre esses povos, o fim do inverno e o começo da primavera era de grande importância, pois estes se prendiam maiores oportunidades de sobrevivência, porque devido ao rigoroso inverno europeu a produção de alimentos era prejudicada.

Entre o povo judeu a Páscoa era uma das mais solenes festas da Antiga Lei. E foi Moisés que a instituiu, por ordem de Deus, em lembrança ao episódio narrado no livro do Êxodo, que significa “saída”. Pois é a saída dos judeus do Egito que é aí relatada. Tentaremos em poucas linhas dar uma noção para nossos leitores sobre este êxodo dos judeus.

Ramsés II rei do Egito, tendo subido ao trono, temeu que o crescimento do povo de Israel, colocasse em risco o seu poder. E por este motivo resolveu oprimi-lo cruelmente e dessa forma exterminá-lo. Então obrigou os Hebreus a penosos trabalhos, como a confecção de tijolos. Mas de nada valeu tudo isso pois os judeus continuavam a crescer em número. Foi neste ocasião em que o Faraó tomado de soberba, deu ordem a que todos os filhos varões dos israelitas, assim que nascidos fossem afogados no rio Nilo.

Escultura de Moisé, Catedral de Colônia, Alemanha

Deus escolheu a Moisés como instrumento para libertar o povo eleito das mãos do faraó, e isso ele fez saber a seu servo através da sarça ardente que ardia aos pés do monte Horeb.

Como o faraó tinha o coração endurecido, Moisés lançou as dez pragas no Egito. A última delas foi a que abalou o faraó. Era esta, a morte de todos os primogênitos, tanto dos homens como dos animais. Para proteger os primogênitos do povo de Israel, Moisés ordenou aos chefes de família que preparassem um cordeiro de um ano e sem mancha e com o sangue dele tingissem a porta de suas casas. Então quando o anjo exterminador passou pelo Egito matando todos os primogênitos, “passava” adiante das portas que estavam marcadas com o sangue do cordeiro, que servia como um símbolo de proteção ao povo judeu. Aqui nós vemos uma bela prefigura de Nosso Senhor Jesus Cristo, o cordeiro imolado que nos salvou da morte do pecado.

Na semana em que o povo eleito iniciou sua fuga do Egito, Deus ordenou que comessem apenas pão sem fermento e no último dia, em que estariam finalmente fora do Egito, se comemoraria a Páscoa, sendo o mesmo feito durante todos os anos pelas demais gerações. Ela é comemorada pelos judeus há mais de 3 mil anos. E ainda hoje a Páscoa Judaica é celebrada e nela entre outras coisas se come o Cordeiro Pascal, o “matzá” (pão sem fermento), ervas amargas e vinho.

Porcelana representando a divisão do Mar Vermelho entre egípcios e judeus.

Portanto a festa da Páscoa comemorada entre os judeus, era em memória a esses dois fatos: A “passagem” do anjo exterminador na matança dos egípcios; E a “passagem” do povo eleito da escravidão para a liberdade. Há quem diga que também se lembra nesta festa a “passagem” do povo eleito pelo mar vermelho a pé enxuto, fato esse que tem relação com a fuga do povo de Israel acima explicada.

Nesta história do povo hebreu, encontramos uma série de pré-figuras: A milagrosa libertação do povo de Deus da escravidão do Faraó, rei do Egito, é figura da nossa libertação da escravidão do demônio. O cordeiro pascal é a figura do Redentor, que com o seu sangue, nos resgatou da morte e abriu-nos o caminho da salvação eterna.

Afresco ilustrando o mistério da Ressurreição, por Fra Angelico

Na Igreja Católica a Páscoa é festejada no domingo da Ressurreição, pois Nosso Senhor Jesus Cristo vindo ao mundo deu um novo significado à Páscoa. Ele por sua ressurreição “passou” da morte para a vida, e nos libertou do jugo do demônio e do pecado, dando-nos uma vida nova e marcando a “passagem” da morte do pecado para a vida da graça, das trevas para a luz.

Os judeus celebravam esta festa com muitas cerimônias, mas sobretudo sacrificando e comendo um cordeiro; e agora nós a celebramos sobretudo recebendo o verdadeiro Cordeiro imolado pelos nossos pecados.

O domingo de Páscoa é para todos nós uma oportunidade de fazermos um bom exame de consciência, a fim de que saímos do nosso Egito, que nos coíbe de avançarmos rumo à santidade, e começarmos uma vida nova, toda espiritual, renunciando inteiramente e para sempre ao pecado, e a tudo o que nos leva ao pecado; amando só a Deus, e tudo o que conduz a Deus.