Domingo de Ramos: significado e história

O Domingo de Ramos (Dominica in palmos, em latim), é o início da semana santa. Nele comemora-se a entrada triunfante de Jesus Cristo em Jerusalém, seis dias antes de sua Paixão.

Chama-se de Ramos por causa da procissão que se faz neste dia, na qual os fiéis levam nas mãos um ramo de oliveira, ou de palma, em sinal do régio triunfo que Cristo alcançou ao sucumbir na cruz. De acordo com as palavras de São Paulo: Se com ele padecemos, com ele também seremos glorificados (Rm 8, 17).

Nosso Senhor aclamado ao entrar em Jerusalem

A Sagrada Escritura nos narra que, naquela ocasião, o povo veio ao encontro de Nosso Senhor. Atiravam-se vestimentas na sua passagem; cortavam-se galhos de árvore, que se carregavam em sinal de alegria ao canto de: “Hosana ao filho de David! Bendito aquele que vem em nome do Senhor!” (conf. Mt 21, 1-11).

Nosso Senhor quis entrar triunfante em Jerusalém antes da sua Paixão, pelas seguintes razões:

1º – Para animar os seus discípulos, dando-lhes por esta forma uma prova clara de que Ele ia sofrer espontaneamente;

2º – Para nos ensinar que por sua morte Ele triunfaria do demônio, do mundo e da carne, e que nos abriria as portas do Céu.

A Liturgia do Domingo de Ramos

Para tornar mais real a lembrança desses fatos, a Igreja instituiu uma bela cerimônia litúrgica: Antes da missa, o celebrante, revestido de paramentos de cor vermelha ou de capa, abençoa os ramos, e logo após é feita a distribuição destes entre o público. Então o diácono proclama o evangelho no qual se narra o fato acontecido em Jerusalém (Mt 21, 1-11; Mc 11, 1-10; Jo 12,12-16; Lc 19, 28-40). Então o celebrante ou o diácono diz: Irmãos e irmãs, imitando o povo que aclamou Jesus, comecemos com alegria a nossa procissão. Os fiéis empunhando seus ramos seguem em procissão para a igreja onde será celebrada a Missa.

Chegando ao templo, o clero detém-se diante da porta previamente fechada. Uma parte dos cantores, estando dentro da igreja, representa os coros angélicos, entoando o “Gloria laus” (Glória, louvor e honra, a Cristo, Rei redentor). A outra parte, fora do santuário, pede entrada livre para Cristo que triunfou pela cruz. Acabado o hino, um ministro bate três vezes na porta, no entanto, esta não se abre. Então o cruciferário bate com a base da cruz na porta, e esta então se abre para deixar a procissão entrar.

O simbolismo desta cerimônia é de fácil interpretação:

 A Igreja, cerrada a princípio, representa o céu, que por causa do pecado de Adão e Eva está fechado, e no qual não entra ninguém. Mas agora, abrem-se novamente as portas, por virtude da morte de Nosso Senhor na cruz.

A procissão é mencionada por alguns autores no século IV, ao passo que a benção dos ramos remonta ao século VII ou VIII.

Naquela época, os cristãos se reuniam no Monte das Oliveiras. Após a solene liturgia da Palavra, dirigiam-se em procissão à cidade de Jerusalém, levando ramos de oliveira, recordando a entrada solene de Jesus na cidade santa. Esse costume foi adotado pelas igrejas do Oriente, e a partir do século VII, já o encontramos difundido nas igrejas do Ocidente.

Na Idade Média, essa procissão era feita da seguinte forma: Cristo era simbolicamente representado por uma cruz, ou por um livro do evangelho, que ia carregado num andor. Usava-se também a figura de um asno de madeira que se deslocava sobre rodas e sobre o qual vinha a figura esculpida do Salvador. Criou-se também o costume de benzer os ramos numa igreja ou capela situada fora dos muros da cidade.

Após a procissão, o celebrante tira a capa e veste a casula roxa, porque, apesar destas cenas de entusiasmo e de glória na procissão, pouco tempo depois se seguiriam os opróbrios e as dores pungentíssimas da Paixão.

Então se inicia a missa solene. Nela é cantado o Evangelho da Paixão segundo São Mateus, Marcos ou Lucas conforme o ciclo das leituras, por três diáconos ou três sacerdotes. Um deles faz o papel do evangelista, historiando o drama. Outro canta as palavras de Nosso Senhor. O terceiro diz a parte da sinagoga (palavras dos judeus, de Pilatos e dos apóstolos). Chegando a parte em que se diz: “emisit spiritum” (entregou o espírito) prostram-se todos. Em certos países, osculam a terra. No final da leitura, diz-se: Palavra da Salvação, mas não se oscula o livro. Após a homilia, a missa prossegue normalmente.

Os Ramos Bentos

Os ramos bentos são um sacramental para o uso dos fiéis. Na liturgia grega e latina, os ramos de oliveira tinham um caráter simbólico como sinal de esperança, vitória, vida. No mundo greco-romano atribuía-se aos ramos de determinadas árvores o poder de afastar os espíritos malignos, e de todos os danos causados às casas e aos campos. Os cristãos, influenciados por essa cultura greco-romana, passaram a atribuir uma eficácia curativa e protetora a esses ramos que eram levados solenemente em procissão depois de receberam a benção. Mesmo hoje, muitas pessoas levam para casa esses ramos bentos, confiados na proteção de Deus contra perigos, tais como tempestades, raios, incêndios e outras desgraças.

Abaixo, fotos da cerimônia do Domingo de Ramos na sede dos Arautos do Evangelho em Ponta Grossa, presidida pelo Revmo. Pe. Paulo Sérgio Martins, EP.