Este domingo…

Se tentarmos calcular a quantidade de sermões proferidos ao longo da história da Igreja Católica, facilmente desistimos de terminar nosso cálculo. As riquezas extraídas dos Santos Evangelhos pelos oradores ao longo dos anos são incalculáveis. As palavras de Nosso Senhor Jesus Cristo atravessam os séculos e permanecem atuais, como o eram quando Ele caminhava pela Judeia.

O Espírito Santo não deixa de assistir seus ministros. Dentre eles, citemos um muito próximo de nós: Mons. João S. Clá Dias, o fundador dos Arautos do Evangelho.

Em recente coleção de autoria do Mons. João Clá, publicado pela Libreria Editrice Vaticana, “O inédito sobre os Evangelhos”, comenta ele as liturgias dominicais. Lendo essa preciosa obra podemos preparar-nos melhor para tirar todo proveito da Liturgia desse domingo.

Vejamos, a título de exemplo seus comentários sobre o o Evangelho deste domingo. (Lc 17 5-10)

Diz São Lucas:

“Naquele tempo, os Apóstolos disseram ao Senhor: Aumenta a nossa fé! O Senhor respondeu:Se vós tivésseis fé, mesmo pequena como um grão de mostarda, poderíeis dizer a esta amoreira:’Arranca-te daqui e planta-te no mar, e ela vos obedeceria.

Grão de mostarda

Se algum de vós tem um empregado que trabalha a terra ou cuida dos animais, por acaso vai dizer-lhe, quando ele volta do campo:Vem depressa para a mesa? Pelo contrário, não vai dizer ao empregado: Prepara-e o jantar, cinge-te e serve-me, enquanto eu como e bebo; depois disso tudo tu poderás comer e beber? Será que vai agradecer ao empregado, porque fez o que lhe havia mandado? Assim também vós: quando tiverdes feito tudo o que vos mandaram, dizei: Somos servos inúteis; fizemos o que devíamos fazer” (Lc 17, 5-10)

Comenta Mons. João:

“Aumentaremos a fé se adaptarmos nossa vida diária – trabalhos, obrigações e responsabilidades – à fé professada, pois se houver dicotomia entre esta virtude e a vida prática, entre aquilo que cremos e o que fazemos, a fé terminará por evaporar-se.

É necessário, portanto, que a fé coroe todas as nossas atividades, como destaca o padre Royo Marín: “as almas que tiverem progredido na vida cristã, preocupar-se-ão com o incremento desta virtude fundamental até conseguir que toda a sua vida esteja informada por um autêntico espírito de fé que as transponha a um plano estritamente sobrenatural, a partir do qual possam ver e julgar todas as coisas”.

Amoreira da Terra Santa

Contudo, tal conduta não é tão fácil de ser mantida. As dificuldades do dia a dia nos fazem chegar a uma conclusão: é indispensável suplicar com fervor o auxílio divino.

Agiram, então, muito bem os Apóstolos ao pedir o aumento de sua fé, a qual, segundo podemos julgar pela resposta de Nosso Senhor, era bem frágil…

Sua resposta reveste-se de certa dureza. De fato, a fé de seus escolhidos era ainda menor que o minúsculo grão de mostarda, quase do tamanho de uma partícula de açúcar. Ora, bastava uma fé de diminuta dimensão para mandar uma árvore sólida como a amoreira jogar-se ao mar. Afirmação surpreendente! A amoreira desta passagem de São Lucas provavelmente corresponde ao Shiquemah -sicômoro-, árvore de raízes vigorosas, que se fixam no chão com toda força. Seria possível alguém realizar tamanha proeza? Entretanto, não fez o Mestre tal declaração apenas de forma metafórica. A fé é, de fato, capaz de mover montanhas, pois por detrás dela está o poder de Deus, e quando alguém se une à força divina pela robustez de tão valiosa virtude, torna-se tão forte quanto é forte o próprio Deus.

Nesse domingo peçamos a Deus nos conceda “Aumentar nossa fé” e tomar nossos defeitos e “lançá-los no mar”.

Para continuar a leitura, vejam a página 389 da recente obra do Mons. João Clá. Os que não a possuem ainda podem adquirir clicando no ícone da página inicial do blog. Terão assim acesso aos comentário completos.