Fátima, a grande esperança

Neste dia 13 de outubro completam-se 100 anos da última aparição de Nossa Senhora em Fátima. Várias das previsões feitas pela Santíssima Virgem que constituíam ameaças de punição se realizaram: a Segunda Guerra Mundial, a expansão soviética, etc. Na mensagem de Fátima há, porém, uma promessa muito alentadora: o triunfo do Imaculado Coração de Maria.

Para evitar as punições, Nossa Senhora colocou uma condição: arrependimento e penitência. Para esse triunfo Nossa Senhora não colocou nenhuma condição. Afirmou simplesmente que triunfará. Para firmar bem essa certeza do triunfo, são de enorme valia as considerações do Mons. João Clá, Fundador dos Arautos do Evangelho que damos a seguir.
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AURORA DO REINO DE MARIA *

Mons. João Scognamiglio Clá Dias, EP

Detenhamo-nos na consideração das perspectivas finais da Mensagem de Fátima. Para os católicos que esperam com ardor a intervenção de Deus em nossos tão difíceis e confusos dias, esta Mensagem é condicional, pois traz consigo uma advertência materna, ao mesmo tempo que promete um prêmio, se for escutada e posta em prática pela humanidade.

Assim, “para os que têm fé, do fundo deste horizonte sujamente confuso e torvo, uma voz, capaz de despertar a mais alentadora confiança, faz-se ouvir: ‘Por fim, o meu Imaculado Coração triunfará!’ Que confiança depositar nesta voz? A resposta, que Ela mesma nos dá, cabe numa só frase: ‘Sou do Céu’. Há, portanto, razões para esperar. Esperar o quê? A ajuda da Providência a qualquer trabalho executado com clarividência, rigor e método, para afastar do mundo as ameaças que, como outras tantas espadas de Dâmocles, estão suspensas sobre os homens”. (1)

Por isso, para além da aflição e das punições tão prováveis, para as quais caminhamos, temos diante de nós os primeiros raios sacrais da aurora do Reino de Maria, que será, sem dúvida, a vitória do Coração maternal e régio da Virgem Santíssima. Trata-se de uma majestosa promessa portadora de paz, de entusiasmo e de luz!

Segunda Guerra Mundial – Bomba atômica em Hiroshima

São Luís Maria Grignion de Montfort também alenta os fiéis na espera da vinda deste Reino de Maria em seu Tratado da verdadeira devoção à Santíssima Virgem. O Santo francês clama com o ardor e a profunda fé que o caracterizavam: “Ah! Quando virá este tempo feliz em que Maria será estabelecida Senhora e Soberana nos corações, para submetê-los plenamente ao império de seu grande e único Jesus? Quando chegará o dia em que as almas respirarão Maria, como o corpo respira o ar?” (2)

Não resta dúvida de que há nesta previsão futura, ainda longínqua para o próprio São Luís Grignion, uma estreita ligação com o triunfo do Imaculado Coração de Maria anunciado por Nossa Senhora em Fátima.

E tendo chegado, agora, o centenário das aparições, pode-se afirmar, com toda a segurança, que a era de maldade e afastamento de Deus em que vivemos está próxima do fim!

Nos tempos felizes previstos por São Luís Grignion, a Santíssima Virgem haverá de estabelecer o seu império nas almas, nas instituições, nas nações e em todo o orbe.

Milagre do sol em 13 de outubro de 1917 – Fátima

Por estar o mundo moderno inundado de crimes e pecados, significando um período de provação para os autênticos católicos, pode ser que alguém se esqueça de que a Divina Providência, em seu desvelo pelos homens, suscitará na Igreja almas ardorosas e firmes na fé, às quais dará a conhecer de algum modo seus desígnios e delas Se utilizará para promover sua vitória.

Quais serão estes eleitos de Nossa Senhora? Segundo nossa análise, entendemos que se agruparão em notável minoria, proveniente de todos os ângulos da terra. Cada qual, segundo a sapiencial vontade de Maria Santíssima, será galardoado com graças admiráveis para superar árduas barreiras, e julgará por vezes ter fracassado por completo. Mas, se confiar até o fim, terá a alegria de contemplar com seus olhos o glorioso início da era marial que não tardará.

São Luís Grignion também os prevê em sua mencionada Oração Abrasada: “É uma congregação, uma assembleia, uma escolha, uma triagem de predestinados que deveis fazer no mundo e do mundo: Ego elegi vos de mundo (Jo 15, 19). É um rebanho de pacíficos cordeiros que deveis reunir entre tantos lobos; uma companhia de castas pombas e de águias reais entre tantos corvos; um enxame de laboriosas abelhas entre tantos zangões; uma manada de cervos ágeis entre tantas tartarugas; um batalhão de leões destemidos entre tantas lebres tímidas. Ah! Senhor: congrega nos de nationibus (Sl 105, 47). Congregai-nos, uni-nos, a fim de que se renda toda a glória ao vosso nome santo e poderoso”.(3)

 

 

(*) Título nosso. Trecho, com ligeira adaptação, da Conclusão da obra do Mons, João Scognamiglio Clá Dias, EP, “Por fim o meu Imaculado Coração Triunfará”, Instituto Lumen Sapientiae, São Paulo, 2017, p. 127-129.

 

(1) CORRÊA DE OLIVEIRA, Plinio. Nobreza e elites tradicionais análogas nas alocuções de Pio XII ao patriciado e à nobreza romana. Porto: Civilização, 1993, p.154-155.
(2) SÃO LUÍS MARIA GRIGNION DE MONTFORT. Traité de la vraie dévotion à la Sainte Vierge, n.217. In: OEuvres Complètes. Paris: Du Seuil, 1966, p.634. No Brasil: “Tratado da verdadeira devoção à Santíssima Virgem”, Ed. Vozes, Petrópolis, 46ª edição, 2015, nº 217, p. 212.
(3) SÃO LUÍS MARIA GRIGNION DE MONTFORT. Prière Embrasée, n.18. In: OEuvres Complètes, op. cit., p. 682. No Brasil: “Tratado da verdadeira devoção à Santíssima Virgem”, Ed. Vozes, Petrópolis, 46ª edição, 2015, p. 308.

Ilustrações: Arautos do Evangelho, acnsf, wpress, reprodução