Quando eu crescer, quero ser criança

O título também me chamou a atenção. Peguei o papel deixado sobre a mesa por um amigo, li e pareceu bem interessante. É de autoria de uma gerente de comunicação da rede Linkedin,(1) analisando a criança e relembrando de quando ela própria foi criança.

Nesta semana da criança paremos um pouco e analisemos essas pequenas criaturas, recém saídas das mãos de Deus. O que teriam a nos ensinar. Ou por outra o que nos fazem lembrar de quando éramos crianças? Faz-nos lembrar, por exemplo, o que diz o artigo: “Essa beleza de deixar-se maravilhar pelas pequenas coisas é algo que não deveríamos reprimir. Só as crianças realmente veem tudo”.

É bem verdade, pois ainda não foram ofuscadas pelos egoísmos e venalidades da idade adulta, veem as coisas tal quais são. Prestam atenção em aspectos que para nós parecem insignificantes. Mas é que estão tendo seus primeiros contatos com as realidades, enriquecendo as premissas com as quais analisarão o mundo que os rodeia e que muitas vezes terão de enfrentar.. Como observa a autora do artigo, “Sempre que possível vamos deixá-las observar o detalhe da janela, o desenho do corrimão, a textura da roupa”.

Por isso, muitas vezes, crianças fazem observações muito acertadas e precisas. E nos vem o desejo de sermos mais cuidadosos, ou como observa o artigo, “Não queremos “estragar” aquele pequeno pedaço de gente com a esperança de que ele possa fazer algo bom pelo mundo, pelo menos algo melhor do que temos conseguido até o momento”.

Surpreende-nos ver com que facilidade não recuam diante de problemas – pequenos ou grandes – pois “não existe nada impossível para as crianças. Elas podem tornar-se qualquer coisa em minutos”, observa a articulista.

A comemoração do Dia da Criança no Brasil tem uma característica muito especial: coincide com o dia da Padroeira, Nossa Senhora Aparecida. Ou seja, a Mãe das mães e celebrada no mesmo dia que seus filhos pequenos. É interessante ver Mãe e filhos celebrados juntos, pois, n’Uma e noutros é a inocência que é celebrada.

Nossa Senhora, concebida sem pecado – Imaculada Conceição –, a inocente por excelência, de fato é Mãe, não só das crianças, mas de todos nós, pois que Jesus nos deu a Ela por filhos numa de suas últimas palavras na Cruz.

Nas crianças, o que mais se admira, no fundo, também é a inocência, que têm… o que deveriam ter. E lembramo-nos de quando a tivemos e dela temos saudade, como diz conhecido poeta:

Oh! que saudades que tenho

Da aurora da minha vida,

Da minha infância querida

Que os anos não trazem mais!

Como são belos os dias

Do despontar da existência!

Respira a alma inocência (2)

E nós adultos, temos saudades desse tempo? Da época em que amávamos o bem e parecíamos ser amados, na atmosfera primaveril da inocência. Não terá Deus saudades desse tempo, da bondade que havia em nós. Peçamos a Nossa Senhora, Mãe da Inocência, chamada Jesus, que recomponha em nós o amor a Ela e a Deus, e faça de nós aqueles filhos que teríamos sido se tivéssemos guardado íntegra a inocência.

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Por isso, provavelmente, poderíamos dizer quando nos perguntassem o que seriamos quando crescêssemos: quando crescer, quero ser criança.

(1) Fernanda Brunsizian, gerente de comunicação. Cf.:

HTTPS://www.linkedin.com/pulse/quando-eu-crescer-quero-ser-crian%C3%A7a-fernanda-brunsizian/ acessado em 10/10/2017.

(2) Casimiro de Abreu, “Meus oito anos”.

Ilustrações: Arautos do Evangelho, Gustavo Krajl, pixabay